Os comentários foram tão adversos que precisei escrever este post para deixar certas coisas mais claras. Começo dizendo que a intenção não era criticar a magreza em si, tanto que, não citei nenhum nome de famoso. A questão é outra!
O problema da estética das modelos não é o fato de serem altas e magérrimas. Quem acompanha a Moda, sabe bem que elas são vistas como cabides, sem novidade. Na passarela, as roupas tem um caimento melhor em um corpo assim do que o curvilíneo, além da economia de tecido. São aspectos já compreendidos. Mas ao meu ver, o que complicou foi quando este padrão de beleza de passarela se tornou o mesmo da vida real. Era neste ponto que gostaria de chegar.
A partir do momento em que a indústria vende a beleza através de um padrão não apresentado pela a maioria da sociedade, isto é um perigo!
Se as modelos são anoréxicas ou não, o que podemos fazer? Elas têm a liberdade de escolher outra profissão, mas a realidade lá é ser magra-esquálida, o cenário só muda (um pouco) quando é desfile de Moda Praia ou quando se tornam conhecidas - exemplo, Gisele - que pode ser dar ao luxo de ganhar uns quilos extras.
As chèries que comentaram que têm IMC baixo mas não são anoréxicas, por favor, não se comparem! Nada se generaliza, existem diversos tipos de magreza, e o que a matéria cita é o das modelos. Infelizmente, para algumas delas atingirem as medidas exigidas é necessário o corte de comida, atingindo níveis de transtornos alimentares. E não são poucas as que necessitam destes artifícios ruins. Só que, comendo ou não, a questão em si é quando este tipo de beleza é padronizado como o mais belo para a sociedade em geral. É isto que não pode acontecer. O resultado é o que estamos vivendo: um número absurdo de mulheres infelizes com a sua estética.
A auto-estima é algo muito delicado a se tratar, nem todas tem a força de continuar sorrindo ao saber que o tamanho G ficou extremamente pequeno no seu corpo. E ainda complica mais porque no Brasil as marcas não seguem o padrão da ABNT. Ou seja, nesta loja você veste 40, na outra 42 e naquela outra 44. Uma loucura!
Fica difícil a aceitação do próprio corpo se ele não atinge medidas qualificadas como "perfeitas". As dicas foram dadas para fazer as empresas acordarem e verem o quanto é necessário investimentos neste tipo de nicho, e não excluí-las. E não estou falando nem de obesidade, falo de números como 44 e 46, que em alguns locais são considerados tamanhos grandes e já difíceis de se encontrar. Em blusas que tem como última numeração um G que não cobre nem o umbigo.
Obviamente, qual é a primeira coisa que se passa na cabeça do consumidor que sofre isto? Que estão se baseando na estética da passarela, ou, economia de materiais.
Não há nada de mais curtir Kate Moss, Gisele, Twiggy ou que for. Adoro elas, são até minhas ídolas e creio que de muita gente também. Só que não dá mais para aceitar a imposição de um único padrão e que a partir dele sirva de referência para o resto. Elas não podem ser moldes de comparação para todos. Ter 1.68m - altura de Kate - pode ser considerado baixo para a passarela, mas não para nós.
E não coloquei este tema aqui para debatermos o que é belo ou feio, de forma alguma, quem entendeu por este lado, sorry, não era a intenção, foi até longe da minha imaginação.
O que luto sempre é pela a democracia, pela a liberdade de escolhermos o melhor para si sem interferência de terceiros. Sei que é difícil, mas vai ser ainda mais se não for falado.
Não é justo o que está acontecendo. Estão taxando como anormal algo que na verdade é o comum. E em vez de ajudar, prejudica demais, já que aumenta o número de mulheres que procuram por métodos inadequados de emagrecimento, e as que entram em depressão, em muitos casos, passam a comer o dobro.
O que está sendo cansativo é unificar a beleza por um só tipo de olhar. A Moda sempre acompanhou o homem, quebrou tabus e assim devemos continuar. Padrões estéticos sempre existiram, só que antes era aquilo e ponto final. O ocidente já quebrou esta barreira, hoje podemos desfrutar da nossa liberdade de expressão. Mas o que a indústria está fazendo conosco é o contrário, é tolhir de sermos felizes com nossas aparências, sabendo que o lado fraco do público feminino é o consumo de produtos de Moda. E este debate não vale só para a gordura ou falta dela, é também para todos que de alguma forma não se sentem encaixados a algum padrão.
Se o que interessa é a venda, pois o que não falta é cliente. Afinal, toda a vez que entramos numa loja de departamento, porque a maioria das peças promocionais são de tamanho P? Raramente sobra os números grandes. Terminando ao estilo Moda Trash, rs.
Antes:
Infanta Margarita da Áustria por Diego Velázquez:
Depois:
A versão de Fernando Botero:
Deixando um agradecimento especial para a Ana Farias do Trendy Twins, por ter citado como referência o post anterior. Obrigada!!!!!


11 comentários:
Sempre rola estas polêmicas...
kkkkk
ainda mais qdo se trata de plus size.
Beijos.
Se puder,
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Nossa Lauren, nem precisava desse post explicativo. Eu entendi perfeitamente seu ponto do vista. Só que acho que a Moda não pode levar a culpa de tudo, pois há muitas coisas entrelaçadas à ela, uma coisa levou à outra. A indústria farmacêutica entra nessa porque quer vender remédio pra emagrecer, assim como as clinicas estéticas, as academias e os cirurgiões, todos querem que a mulher gorda não se aceite de jeito nenhum para poderem lucrar com elas. Já ouviu aquela música do Engenheiros chamada 3 do plural? "Corrida pra vender cigarro/ Cigarro pra vender remédio/...Vender... comprar... vedar os olhos/...Querem te deixar com sede/No querem te deixar pensar". É o que acontece com a Moda! A moda é a indústria mais poderosa do mundo porque ela molda as pessoas. Ter auto estima é fundamental pra lutar contra esse molde imposto por ela.
Eu super apóio a moda Plus e anos atrás já falava da necessidade de termos essa moda mais desenvolvida por aqui, afinal nossas medidas aumentaram e vão continuar assim por um bom tempo.
Bjs!
Poxa, eu super tinha entendido o seu ponto de vista, acho que nem precisava se "retratar". :)
Esse padrão da magreza extrema jamais funcionaria para mim, que aaaaaamo comer! Imagina viver de água e alface, não dá, né?
E amei a imagem do Botero, que criou as gordinhas mais lindas do mundo!!!
♥
Camila Faria
é, esse tipo de assunto sempre gera polêmica rs, as vezes alguem pode interpretar algo da maneira errada e aí dá pano para manga, mas estou na mesma das meninas acima, tb entendi seu ponto de vista ;-)
bjsss
Ufa!! Então apago de vez um certo comentário infeliz q li. Yeah!
Queridona, tbm entendi seu ponto de vista muito bem, concordo e aprovo seu post muito bem escrito, aliás, parabéns, seus posts sempre são incríveis.
BjoBjo;)
Celina Alves
Luxos e Luxos
Passei, curti e fiquei (segui).
Passa lá no meu blog e se gostares, fique por lá também!
http://compartilhandosentidos.blogspot.com/
Acredito que sô tenha gerado polêmica quanto aos que não compreenderam bem a questão.
Bommas não vou falar muito pra não gerar mais polêmica!
Hahaha
Beijo, amiga!
Mas acho eu que essa cobrança não é só com relação a magreza e sim com a beleza física.O preço da mulher bonita é não poder envelhecer!Não é normal que cobrem de uma mulher que aos 40 ela tenha rostinho e corpinho de 18.E cobram,achando que o anormal é ela ter chegado aos 40 do jeito que chegou e ponto!
bjs,Lauren!!!
Tbm concordo Paulo! Sou a favor da liberdade, detesto estas imposições, so pioram as coisas.
Dia desses fiz um post elogiando a feiúra. Logo apareceu alguém dizendo que só o escrevi para justificar a minha feiúra.
Mas a feiúra, assim como a gordura, tem de ser justificada? É uma infração? A gente não pode ser feliz e viver em paz gorda, cheinha, feia, whatever???
Eu concordo completamente com vc! Não me venham impor padrões arbitrários e impossíveis de serem alcançados.
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